Um Conto de Duas Crateras
NASA/JPL-Caltech/UArizona
Um Conto de Duas Crateras
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As duas crateras nesta sub-imagem possuem tamanhos similares, mas aparências muito diferentes. Isto porque elas são de idades diferentes. Consegue dizer qual é a mais velha?

Às vezes é possível deduzir idades relativas usando um princípio da geologia chamado “sobreposição”. Significa que uma feição formada posteriormente à outra tende a se sobrepor à feição mais antiga. Por exemplo, o material ejetado pelo impacto de uma cratera mais nova será sobreposto a uma cratera mais velha próxima. Esta situação particular não é muito óbvia nesta imagem, embora seja possível ver sinais disso na imagem JPEG2000 de alta resolução.

Entretanto, existem algumas evidências mais óbvias da idade relativa delas. A cratera maior (aproximadamente 45 metros) é menos profunda em relação ao seu tamanho, e suas paredes são menos íngremes. Além disso, há uma textura diferente em seu interior, o que poderia indicar a existência de pequenas dunas ou terrenos ondulados formados pela ação do vento. Para isso seriam necessários muitos anos. A cratera menor (10 metros) aparentemente não exibe nenhum padrão diferente em seu interior e isso é um indicativo de que ela é mais jovem.

Outra pista é a área escura ao redor da cratera menor. É uma área onde os sedimentos mais claros da superfície foram removidos pelo impacto, ou onde o material ejetado pelo evento formou aquelas faixas escuras. Pequenos sulcos podem ser vistos estendendo-se radialmente a partir da menor cratera, formados pelo material ejetado que em alguns locais formou pequenas crateras secundárias. Este tipo de feição é bastante recente. Algo assim não dura muito tempo na superfície de Marte por causa da ação do vento que erode ou cobre estas feições de sedimentos. Portanto, estas são mais pistas que favorecem a hipótese de que a cratera menor é mais recente.

Como se o que foi discutido já não bastasse, uma imagem do local tomada em 2005 pode ser vista aqui. Esta imagem HRSC (High Resolution Stereo Camera, abordo da sonda Mars Express) retrata a mesma cena. Note que a área escura ao redor da cratera menor ainda não havia se formado. Uma vez que estas áreas se formam ao redor de crateras novas, isto fortalece a conclusão anterior, baseada apenas na aparência das duas crateras, de que a menor delas é mais jovem.

Tradução: Thiago Statella
 
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